segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A MULHER DO VIZINHO


A mulher do vizinho

Fernando Sabino


Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco.


O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia.


O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fabrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte:


— O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor.


Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:


— Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?


O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.


— Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não e gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?


Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente:


— Da ativa, minha senhora?


E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:


— Da ativa, Motinha! Sai dessa...


Texto extraído do livro "Fernando Sabino - Obra Reunida - Vol.01", Editora Nova Aguiar - Rio de Janeiro, 1996, pág. 872
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UM HOMEM DE CONSCIÊNCIA


  UM HOMEM DE CONSCIÊNCIA

                                                            (Cidades Mortas, Monteiro Lobato)

Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro.
Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor.
Mas João Teodoro acompanhava com aperto de coração o deperecimento visível de sua Itaoca.
 - Isto já foi muito melhor, dizia consigo. Já teve três médicos bem bons – agora só um e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca está acabando…
João Teodoro entrou a incubar a ideia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível.
- É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada de nada, então arrumo a trouxa e boto-me fora daqui.
Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada…
Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seríssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado – e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!…
João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada, botou-as num burro, montou no seu cavalo magro e partiu.
- Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens?
- Vou-me embora, respondeu o retirante. Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim.
- Mas, como? Agora que você está delegado?
- Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. Adeus.
E sumiu.

CLARISSA-ÉRICO VERÍSSIMO


CLARISSA-ÉRICO VERÍSSIMO

Clarissa contempla a menina contente que está no fundo do espelho, tão contente que nem pode deixar de sorrir. E por quê? Ora, a vida é tão boa... O sol salta pela janela, como um companheiro brincalhão e põe as cores do arco-íris nas facetas do espelho. Lá fora os jardins estão floridos. Mamãe escreveu dizendo que tudo na fazenda vai bem. A vaca brasina (a querida de Clarissa) continua gorda, dando muito leite. Primo Vasco parece que está criando juízo. Papai melhorou da asma.
O sorriso de Clarissa se alarga. O da menina do fundo do espelho também. Passa a mão pelo rosto. Bonita? Sim. Já lhe disseram. Não diretamente, mas ela ouviu, percebeu, adivinhou. Foi na rua. Num domingo. Ia para a igreja, contente, cantarolando baixinho, com vontade de pular. Levava um vestido branco estampado com florinhas amarelas e azuis. A uma esquina estavam dois rapazes. Quando ela passou, cochicharam, arregalaram os olhos e examinaram-na de cima a baixo. Santo Deus, que sensação esquisita! Nem agradável nem desagradável. Esquisita. De frio e de calor ao mesmo tempo. De vergonha e de contentamento. Ficou até desajeitada: trocou as pernas, perdeu o compasso da marcha. Baixando os olhos, fingiu que procurava alguma coisa entre as páginas do livro de reza. E sem levantar a cabeça passou pelos rapazes.
Ia tonta, mas percebeu que um deles dizia baixinho uma palavra encantada de que ela só pôde ouvir com clareza as últimas sílabas:- ...nita!...nita? Não havia a menor dúvida. Bonita! Bo-ni-ta! Um moço tinha dito aquilo. Ela ouvira. Bonita.
(A menina do espelho está achando tudo muito engraçado.) Dentro de pouco tempo tudo vai mudar. Mamãe já prometeu em carta: Quando fizeres catorze anos eu te dou licença para botar sapato de salto alto. Tudo então ficará diferente. Ela deixará as bonecas. Será uma moça, uma senhorita que os rapazes na rua cumprimentarão atenciosamente, tirando o chapéu. E ela responderá com um aceno de cabeça, e um leve sorriso. Passará serenamente, e eles ficarão dizendo elogios...- ... líssima.Sim. Belíssima. E por que não? Assim como está agora de sandálias, de vestidinho simples, pode ser apenas- Bo-ni-ti-nha. De sapatos de salto alto,vestido de seda, será... líssima. Belíssima. Se Deus quiser e a Virgem Santíssima. Amém!

A narração



A narração
Toda narrativa tem um narrador: aquele que conta a história. O narrador pode ser de dois tipos: narrador de 1ª ou 3ª pessoa.
A narração, além de ser uma das mais importantes possibilidades de linguagem, é também uma das práticas mais comuns de nossa vida. A narração associa nossa observação do mundo com nossa existência, nossa memória e nossa imaginação.

Elementos básicos da narrativa
Narrativa-enredo(acontecimentos reais e/ou imaginários) + personagens(quem vive os acontecimentos).
Narrador-quem narra os acontecimentos.

Veja como podemos reconhecer os elementos básicos da narrativa:
O que aconteceu? Acontecimento, fato, situação.
Com quem? Personagem(ns).
Onde? Quando? Como? Espaço, tempo, modo.
Quem está contando? Narrador em 1ª ou 3ª pessoa.

A construção do enredo
Enredo é a sequência de acontecimentos da história. Toda narrativa tem um enredo: o que aconteceu e como aconteceu. O desenvolvimento do enredo é organizado em função de um conflito entre a personagem principal e forças adversárias a ela, pela luta da personagem para realizar seus desejos, projetos, sonhos e objetivos.
A história apresenta um conflito entre o(s) protagonista(s) e os elementos opositores, entre os quais encontramos, muitas vezes, as personagens adversárias ou antagonistas.
Exemplos: herói x vilão, mocinho x bandido.
No entanto, há enumeráveis formas de conflitos. De um modo geral, a personagem está em luta com antagonistas, ou com o mundo, ou com o seu destino, ou consigo mesma. O desenrolar do enredo dá-se pela apresentação e desenvolvimento desse conflito, que se intensifica até o clímax, para se solucionar apenas no desfecho da história.
Partes do enredo
1.       Exposição: situa-se no começo da história, quando em geral se apresentam os personagens, o conflito, o espaço e o tempo em que ocorre a ação.
2.       Complicação: corresponde à parte do enredo em que se desenvolve(m) o(s) conflito(s).
3.       Clímax: é o momento de maior tensão do(s) conflito(s).
4.       Desfecho: é a solução do(s) conflitos(s).

Narrador: a voz que conta história
Narrador de um texto ficcional não é o autor. É uma voz imaginária, escolhida pelo autor de acordo com o tipo de história a ser elaborada.
Podemos distinguir três tipos de narrador:
Narrador-personagem, narrador-observador e narrador-onisciente.


Foco narrativo em 1ª pessoa
O narrador-personagem conta na 1ª pessoa a história da qual participa também como personagem.
Ele tem uma relação íntima com os outros elementos da narrativa. Sua maneira de contar é fortemente marcada por características subjetivas, emocionais. Essa proximidade com o mundo narrado revela fatos e situações que um narrador de fora não poderia conhecer. Ao mesmo tempo, essa mesma proximidade faz com que a narrativa seja parcial, impregnada pelo ponto de vista do narrador.
Foco narrativo em 3ª pessoa
O narrador-observador conta a história do lado de fora, na 3ª pessoa, sem participar das ações. Ele conhece todos os fatos e, por não participar deles, narra com certa neutralidade, apresenta os fatos e os personagens com imparcialidade. Não tem conhecimento íntimo dos personagens nem das ações vivenciadas.
O narrador-onisciente conta a história em 3ª pessoa e, às vezes, permite certas intromissões narrando em 1ª pessoa. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que passa no íntimo das personagens, conhece suas emoções e pensamentos.
Ele é capaz de revelar suas vozes interiores, seu fluxo de consciência, em 1ª pessoa. Quando isso acontece, o narrador faz uso do discurso indireto livre.
Enredo linear e enredo não linear
O enredo é linear quando as personagens, o tempo e o espaço são apresentados de maneira lógica e as ações e situações desenvolvem-se cronologicamente, atribuindo à narrativa um começo, meio e fim.
Já o enredo não linear, como o próprio nome revela, desenvolve-se descontinuamente, com saltos, com cortes, com vaivens na sequência da história, com retrospectivas e/ou antecipações e com rupturas do tempo e do espaço em que se desenvolve a ação. O tempo cronológico, dos relógios, mistura-se ao psicológico, da duração das vivências das personagens.
Exercício-Criação de um enredo não linear.
Conte um sonho sem sequência lógica, daqueles que ficam por muito tempo persistindo em nossa memória, apesar de sua estranheza e aparente falta de lógica.
Personagens
Personagens principais: protagonistas x antagonistas
Personagens secundárias: auxiliares ou ajudantes (coadjuvantes)
Os tipos de discurso
Discurso direto: o narrador apresenta a própria personagem falando diretamente, permitindo ao autor mostrar o que acontece em lugar de simplesmente contar.
Lavador de carros, Juarez de Castro, 28 anos, ficou desolado, apontando para os entulhos: “Alá minha frigideira, alá meu escorredor de arroz. Minha lata de pegar água era aquela. Ali meu outro tênis.”
Jornal do Brasil, 29 de maio 1989.

Discurso indireto: o narrador interfere na fala da personagem. Ele conta aos leitores o que a personagem disse, mas conta em 3ª pessoa. As palavras da personagem não são reproduzidas, mas traduzidas na linguagem do narrador.
Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descansou no chão o cachimbo.
Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se não estava se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ataque.
Dalton Trevisan. Cemitério de elefantes. Rio de Janeiro,
Civilização Brasileira, 1964.

Discurso indireto livre: é uma combinação dos dois anteriores, confundindo as intervenções do narrador com as dos personagens. É uma forma de narrar econômica e dinâmica, pois permite mostrar e contar os fatos a um só tempo.
Enlameado até a cintura, Tiãozinho cresce de ódio. Se pudesse matar o carreiro... Deixa eu crescer!... Deixa eu ficar grande!... Hei de dar conta deste danisco... Se uma cobra picasse seu Soronho... Tem tanta cascavel nos pastos... Tanta urutu, perto de casa... se uma onça comesse o carreiro, de noite... Um onção grande, da pintada... Que raiva!...
Mas os bois estão caminhando diferente. Começaram a prestar atenção, escutando a conversa de boi Brilhante.
Guimarães Rosa. Sagarana. Rio de Janeiro,
José Olympio, 1976.
Tempo
Tempo cronológico: dos relógios, objetivamente marcado.
Tempo psicológico: da duração interior das vivências.
Espaço
Espaço exterior: individual e social; pessoal e coletivo.
Espaço interior: subjetivo, psicológico.

sábado, 18 de agosto de 2012

O Realismo

Em que consiste o Realismo
Em primeiro lugar, é importante distinguir os termos Realismo e Romantismo, nos dois sentidos que possuem  em literatura.
Em sentido amplo, podemos considerar o Romantismo (ênfase na fantasia) e o Realismo (ênfase no mundo real).
O Romantismo é caracterizado fundamentalmente pela idéia de liberdade, entendida no sentido de libertação da subjetividade, dos sentimentos, da imaginação criadora e da fantasia. O Realismo baseia-se nas idéias de racionalidade, objetividade e impassibilidade, propondo retratar fielmente a vida contemporânea (a sociedade burguesa e seus valores) para desnudá-la, criticá-la e transformá-la.

O primo Basílio





Fragmento 1
Havia doze dias que Jorge tinha partido e, apesar do calor e da poeira, Luísa vestia-se para ir à casa de Leopoldina. Se Jorge soubesse não havia de gostar não. Mas estava tão farta de estar só! Aborrecia-se tanto! De manhã ainda tinha os arranjos a costura, a toalete, algum romance... Mas de tarde!

À hora em que Jorge costumava voltar do ministério, a solidão parecia alargar-se em torno dela. Fazia-lhe tanta falta o seu toque de campainha, os seus passos no corredor!...
Ao crepúsculo, ao ver cair o dia, entristecia-se sem razão, caía numa vaga sentimentalidade; sentava-se ao piano, e os fados tristes, as cavatinas apaixonadas gemiam instintivamente no teclado, sob os seus dedos preguiçosos, no movimento abandonado dos seus braços moles. O que pensava em tolices então! (cap.III)

Fragmento 2
Servia, havia vinte anos. Como ela dizia, mudava de amos, mas não mudava de sorte. Vinte anos a dormir em cacifos, a levantar-se de madrugada, a comer os restos, a vestir trapos velhos, a sofrer os repelões das crianças e as más palavras das senhoras, a fazer despejos, a ir para o hospital quando vinha a doença, a esfalfar-se quando voltava a saúde!... 
As antipatias que a cercavam faziam-na assanhada, como um círculo de espingardas enraivece um lobo. Fez-se má; beliscava crianças até lhes enodoar a pele; e se lhe ralhavam, a sua cólera rompia em rajadas. Começou a ser despedida. Num só ano esteve em três casas. Saía com escândalo, aos gritos, atirando as portas, deixando as amas todas pálidas, todas nervosas...
A necessidade de se constranger trouxe-lhe o hábito de odiar; odiou sobretudo as patroas, com um ódio irracional e pueril. (cap.III)

Os fragmentos de O primo Basílio evidenciam os contrastes entre a visão romântica e a visão realista da vida. Para os românticos, a solidão, o devaneio, o tédio, a melancolia eram reações de homens originais, complexos, e profundos...Para os realistas, o escapismo é a manifestação dos temperamentos frouxos e das vidas desocupadas. O que para os primeiros são virtudes da alma, para os segundos são deformações de caráter.
No Realismo, o comportamento humano é determinado pelos fatores sociais. A inutilidade da vida burguesa criou uma Luísa vazia, enfastiada e tola. A condição servil, a falta de perspectivas, o excesso de trabalho criaram em Juliana um ser revoltado, odioso e irracional.
Novas palavras: português, volume único: livro do professor/ Emília Amaral...[et al.].-São Paulo:FTD, 2003.




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ATIVIDADE COMPLEMENTAR 2-VERBOS




Exercício 1

Leitura e análise de texto

O texto expositivo a seguir fala do tempo pretérito no verbo. Durante a leitura, preste atenção nas referências específicas do pretérito perfeito e do pretérito imperfeito.

O perfeito marca de modo absoluto o fenômeno passado, sem relação com o presente nem com a pessoa que fala. É um tempo objetivo, sereno, próprio do historiador que narra as coisas sucedidas. Exemplo: “O príncipe morreu na guerra, deixou três filhos ainda meninos, que foram criados desveladamente pela princesa”. Modifiquemos agora o período neste sentido: “O príncipe morreu na guerra, deixava três filhos ainda meninos, que eram agora todo o cuidado da princesa”. A primeira oração representa friamente o passado: as duas outras receberam agora um tom diferente: de como nos transportamos ao passado, pela fantasia e pelo sentimento, e vivemos duradouramente os sucessos. Enfim, temos um pé no presente outro no passado.

LAPA, M. Rodrigues. Estilística da língua portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 1991. p.150.

Com base no texto, complete as informações sobre os tempos verbais:

· Características do pretérito perfeito: ___________________________________________
· Exemplo de uso do perfeito: _________________________________________________
· Características do pretérito imperfeito: _________________________________________
· Exemplo de uso do imperfeito: ________________________________________________




Exercício 2

Reescreva o poema a seguir, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, passando os verbos destacados que estão no presente do indicativo para o passado.


Não: devagar.

Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.

Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.

Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...

Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...

O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?


                
PESSOA, Fernando. Poemas de Álvaro de Campos.


Exercício 3




O trecho de texto a seguir faz referência a uma possível chegada dos espanhóis ao Brasil, no início de 1500.

A praia estava deserta. Não havia ninguém ao longo da enseada e nem nas matas que a cercavam. A areia, porém, se encontrava repleta de pegadas, num claro sinal de que a terra era habitada. Tal evidência não impediu que os marujos recém-desembarcados gravassem seus nomes e o de seus navios nas árvores e nas rochas costeiras e, a seguir, imprimissem o dia, o mês e o ano de seu desembarque, tomando conta daquele território em nome da Coroa de Castela.
Era 26 de janeiro de 1500 [...].
Eduardo Bueno, Náufragos, traficantes e degregados.
Rio de Janeiro, Objetiva, 1998.

Imagine que você seja um dos marujos referidos no texto e, fazendo todas as adaptações necessárias, reescreva-o como se você estivesse vivendo neste momento os fatos relatados.